Técnicas de Criatividade – Diversos Autores

Há uma grande quantidade de técnicas disponíveis para produção de ideias, desenvolvidas por diversos autores, iniciada há 2.500 anos. Tais técnicas têm o objetivo de tirar o pensamento do modo repetitivo, produzindo novas conexões que gerem outras ideias.

Lembrando que, ao fim e ao cabo, a criatividade é também uma questão de dimensão da rede neural que construímos e como a construímos, as técnicas de criatividade são modos objetivos e diretos de ampliar e fortalecer a rede que constitui a nossa mente.

Mesmo os mais criativos precisam praticar as novas técnicas de criatividade até para descobrir novas formas de criação. Assim, apresentamos sucintamente algumas técnicas para ajudar na diversificação do pensamento.

O beneficio das ferramentas de criação é soltar a mente da prisão cognitiva, permitindo ao movimento neural encontrar novas ideias.

1. Técnica de Epigramas – Heráclito, ± ano 500 a.C.
A primeira técnica de criatividade que tinha a função de levar as pessoas à reflexão foi desenvolvida pelo primeiro professor de criatividade que se tem noticia, há 2500 anos atrás – Heráclito de Efeso.
Heráclito criou a técnica constituída de epigramas – um modo de expressar o pensamento de modo engenhoso, satírico ou com agudez. O método é próprio para levar o pensamento a novos níveis de compreensão. A epigrama mais conhecido de Heráclito é: “NINGUÉM SE BANHA DUAS VEZES NO MESMO RIO. TUDO FLUI”.

2. Técnica sem nome definido – Lao Tse ± ano 500 a.C.
Lao Tsé, que viveu na China na mesma época de Heráclito, também ofere-ceu alguns métodos para tirar o pensamento da estagnação. Sugeria a seus seguidores para OLHAR AS COISAS DE TRÁS PARA DIANTE, DE DENTRO PARA FORA E DE CABEÇA PARA BAIXO. Certamente é um método que se pode aplicar com certa facilidade e produzir ideias distintas.

3. Associação de ideias – Platão e Aristóteles, ± ano 350 a.C.
Os filósofos Platão e Aristóteles no Séc. IV – a.C., produziram três ferra-mentas para ajudar o pensamento criativo de tal modo que o método de associação de ideias está entre os mais simples podendo-se praticar independentemente de qualquer outra condição. Composto de três modos de variar o pensamento, tem diversos signifi-cados:
– CONTIGUIDADE: proximidade de ideias, sequencia, usada em causa e efeito.
– SEMELHANÇA: similaridade entre ideias, fatores comuns, usado em metáforas.
– CONTRASTE: antônimo, ideias opostas, inversão, valorizado em ironias e humor

4. Brainstorming ou Tempestade de Ideias – Alex Osborn, 1945.
Por volta de 1945, Alex Osborn, tentando libertar o pensamento criativo dos publicitários de sua agência de propaganda, criou o “BRAINSTORMING” (oriundo do inglês, significa uma inspiração repentina).
No Brasil ficou conhecido por “TEMPESTADE DE IDEIAS” e consiste em expressar todas as ideias que lhe vir à mente, de forma livre e espontânea, tenha ou não relação com o tema tratado, sem nenhum preconceito, limitação ou julgamento, que aliás, deve ser completamente suspenso até o fim da dinâmica coletiva.
É aplicada entre profissionais de corporações no desenvolvimento de novos produtos, controle de qualidade, projetos e produção, em agências de publicidade na escolha de nome para produtos ou de propaganda, em administração para eliminar burocracias, facilitar a logística, novas ideias de marketing, etc. Não há nenhum tema, que esta técnica não possa ser utilizada.
Curiosidade: na década de 90, a cada curso em São Paulo, precisávamos pra-ticar a técnica completamente, uma vez que duas ou três pessoas conheciam a ferra-menta. Por volta de 2007 todos os participantes dos cursos já tinham praticado pelo menos uma vez nas empresas, e grande parte havia aprendido na escola, nos níveis de graduação.
Atualmente apresentamos apenas ajustes à ferramenta, obtidos através das pesquisas realizadas em universidades mundo afora, os quais aperfeiçoam o método e extraem ideias de melhor qualidade dos participantes.

5. SCAMPER – Alex Osborn / Bob Eberle (1984).
Desenvolvida inicialmente por Alex Osborn, foi sistematizada por Bob Eberle (1984) que criou uma sequencia em um acrônimo – SCAMPER, oriundo do inglês que significa corrida, galope, fuga apressada. A técnica funciona para mover o pensa-mento do modo repetitivo para o modo inspirador. Para criar com o SCAMPER, use todas as letras do seguinte modo:
S = SUBSTITUTE – Substitua partes, componentes, materiais, métodos…
C = COMBINE – Combine, integre, junte ou una com outras partes…
A = ADAPT – Adapte, altere, mude a função, use parte de outro elemento..
M = MODIFY – Modifique, aumente ou reduza, mude a forma ou atributos…
P = PUT TO ANOTHER USE – Dê outro uso, utilize de modo diferente…
E = ELIMINATE – Elimine elementos, simplifique, reduza partes e funções interiores…
R = REVERSE – Inverta de todas as maneiras…
Esgote letra por letra registrando as ideias que surgirem. Quando terminar re-combine as sugestões até encontrar a que melhor atenda aos objetivos. Pode ser pra-ticada individualmente ou em grupo. Pode ainda ser utilizada como uma variação do brainstorming, direcionando a busca de sugestões.

6. Técnica de perguntas – 5W + 1 H e 5 x Por Que.
Perguntas são modos de extração de joias entre bijuterias. Einstein consi-derava a arte de fazer perguntas, mais importante que as respostas. Quando se con-segue elaborar perguntas, intuitivamente ativamos as respostas. Saber fazer perguntas é uma arte necessária e valiosa em pesquisa científica, qualidade, produção, inovação, marketing e vendas, RH e várias outras atividades, uma vez que aperfeiçoa o discer-nimento criativo das circunstâncias.
O método tradicional de fazer perguntas é conhecido por 5 W + 1H, oriundo da frase em inglês – “I keep six honest serving men. They taught me all I knew: Their names are WHAT, WHY, WHEN, WHERE, WHO AND HOW” (Rudyard Kipling, Just so sto-ries). A tradução é: O QUÊ, POR QUE, QUANDO, ONDE, QUEM + COMO.
Outro método muito utilizado, especialmente na área de qualidade e produção, na investigação de causas de defeitos utiliza-se CINCO VEZES SEGUIDAS A PERGUNTA “POR QUÊ?” para se chegar ao âmago da questão. Exemplo:
• Por que o equipamento parou? O fusível queimou.
• Por que o fusível queimou? Devido à sobrecarga da máquina.
• Por que houve sobrecarga? Houve superaquecimento
• Por que houve superaquecimento? Ela está trabalhando continuamente além do tempo indicado.
• Por que está trabalhando mais do que o indicado? Para atender à urgência de um cliente.
Essa técnica leva o pensamento à investigação, mas não procura a criação de algo novo. Objetiva a manutenção do status quo, isto é, a solução de algum problema para a manutenção da mesmice.

7. Lista de Atributos e Análise Morfológica – Robert P. Crawford e Fritz Zwicky.
LISTA DE ATRIBUTOS foi criada pelo Prof. Robert P. Crawford, própria para a produção de ideias destinada a inovação de produtos, serviços e novas utilizações dos mesmos.
ANÁLISE MORFOLÓGICA foi criada pelo astrônomo Fritz Zwicky, própria para se listar as características de um problema ou conceito em seus aspectos estruturais.
Ambas trabalham com geração de novas ideias através de uma matriz, poden-do ser desenvolvidas em conjunto.
Exemplo: Imagine uma lanterna.
1- Faça uma lista de atributos do objeto – tabela 8.1.
2- Faça uma lista de conceitos básicos do objeto – tabela 8.2.
3- Produza ideias de modo a criar novas lanternas (exemplificado em azul).

Tabela 8.1

Tabela 8.2

Assim, podemos combinar as sugestões entre as ideias em azul e as caracte-rísticas atuais em preto negrito. Pode-se utiliza-la para atender a estratégia desejada como por exemplo, baixar custos – substituir elementos mais caros por mais baratos, melhorar performance de durabilidade – mais pilhas, dínamo, características estéticas – design, cores, materiais, e tantos outros quantos interessem a criação. O importante é notar a ampliação de visão que se pode ter ao trabalhar com as duas técnicas, simul-taneamente.

8. Sinética (com s) – Gordon e Prince, 1956.
Criada pelos inventores William Gordon e George Prince em 1956 e pu-blicado em 1961, é um MÉTODO COMPLETO DE SOLUÇÃO DE PROBLEMAS. A técnica (Synetics – junção de elementos diferentes e aparentemente irrelevantes), foi desen-volvida para tirar o pensamento do ciclo automático de resposta impensada. Consiste em “transformar o estranho em familiar” e “transformar o familiar em estranho”. Para realizar essa reformulação mental utiliza quatro tipos de analogias – pessoal, direta, simbólica e fantasiosa – as quais podem ocorrer simultaneamente.

9. Analogias – em desenvolvimento desde Aristoteles (Sec. IV a.C.)
A técnica de Analogia é atribuida ao filósofo grego Aristoteles (sec. IV a.C.) inicialmente. Mais recentemente, tem sido atribuida a Gordon e Prince alguns acréscimos em função dos desenvolvimentos que fizeram para a diferenciação do pensamento. A analógia consiste em levar um conhecimento aplicado com sucesso “de” uma estrutura “para” aplicar em outra, onde pode ser adaptado e alcançar bons resultados, solucionando o problema existente.
Por exemplo, os hospitais tinham dificuldades em cobrar os serviços de estadia do paciente, além dos serviços médicos e enfermagem. Encontraram as respostas em hotéis e aprenderam a compor serviços hospitalares com serviços de hotelaria. As multinacionais tiveram nas religiões um precursor onde puderam se inspirar para ad-ministrar o crescimento de suas atividades.
10. Biomimética / Engenharia Biônica / Mimética
Certamente uma das melhores fontes de inspiração para ajudar o pensamento a sair do marasmo, encontrar respostas prontas, utilizando recursos im-pensados que estão disponíveis na natureza. Na Alemanha surgiu o primeiro curso de Engenharia Biônica em Bremen, dado que é tendência cientifica buscar respostas cria-tivas na natureza, encarado como o método de pesquisa do futuro para produção de inovações. (2003/2004).
Por exemplo, supõe-se que o papel inventado no ano 105 na China, foi inspirado em uma vespa que extraia as fibras de bambu e misturava com a saliva formando uma pasta que utilizava para construir as paredes de sua moradia. Observando tal trabalho, TsaiLung moeu pedaços de bambu com água, filtrou e deixou secando para obter a primeira folha de papel, que demorou 10 séculos para chegar a Europa.
O método é benéfico à criatividade, uma vez que o homem pode aproveitar o aperfeiçoamento oferecido pela natureza ao longo de milhões de anos. Importante ressaltar que a diferença entre a Bio e a Mimética está na fonte de inspiração.

10. Serendipidade – Sec. XVIII
A palavra SERENDIPIDADE foi usada no Sec. XVIII por Horace Walpole, escritor de ficção que imaginou em 1754 as descobertas valiosas, mas não procuradas, no reino de Serendip, pelos três príncipes. Desde então, o termo foi associado com situações fortuitas que trouxeram resultados inesperados e excelentes.
Também tratado por ACASO, COINCIDÊNCIA, INESPERADO, as situações fortuitas tem a características de beneficiar as mentes preparadas, como disse Louis Pasteur. Os criativos com a mente aberta e a imaginação energizada capturam as situações fortuitas oferecidas num flash pela natureza e a transformam em ideias para inovações. Os exemplos são inúmeros: velcro, penicilina, câmera fotográfica, corantes, remédios como Viagra e anestesia, Post-it e outros. A lista é longa.

11. Mind Map ou Mapas Mentais – Tony Buzan, 1993.
É uma técnica que tem crescido muito, com tendência a ocupar o lugar do Brainstorming, dado que pode ser feito em rede globalizada, não necessitando que todos estejam conectados no mesmo instante (fator complicador pa-ra o BS). Consiste em AGRUPAR DE FORMA NÃO LINEAR EM UMA FOLHA DE PAPEL AS IDEIAS ASSOCIADAS POR CONCEITOS, TAREFAS, FUNÇÕES, OBJETIVOS E OUTROS, tantos quantos forem de interesse. Expõe o Pensamento Radiante de modo facilitador a compreensão de todos, dado que as relações entre eles ficam claras.
Atualmente (2012) há um software disponível para download utilizado para tra-balhar colaborativamente em rede (< www.Mind42.com > Mind42 is a free online mind map collaboration tool).

12. Técnica dos Seis Chapéus – Edward De Bono, médico, 1985.
Consiste em organizar os pensamentos em reuniões para se obter maior e melhor produtividade. A cada um dos seis chapéus, o grupo se concentra no tipo de pensamento requerido, de modo a convergir ou divergir em acor-do com o chapéu que estiver na mesa, trazendo à tona a importância das ideias para edificação de consenso e conscientização de responsabilidades.

13. TRIZ – Genrich Altshuller, Engenheiro Naval – ± 1970.
TRIZ, um acrônimo russo que significa “Teoria de Resolução Inventiva de Problemas”. Altshuller identificou quarenta princípios inventivos ao pes-quisar mais de 2.000 patentes no Banco de Patentes da Rússia. Inicialmente direcio-nado para solucionar questões de ciências exatas, atualmente está sendo estendido para solucionar questões em variadas áreas de conhecimento (sociologia, administra-ção, finanças, etc.).
O modelo é constituído de cinco princípios que dão uma direção geral ao pen-samento criativo: 1º – Abordagens padrões a problemas inventivos; 2º – Princípio da idealidade; 3º – Uso de recursos; 4º – Leis do sistema de evolução tecnológica; 5º – Princípio das contradições.
Como exemplo dos benefícios do TRIZ, obtém-se que os padrões encontrados no estudo de patentes, no qual uma patente aperfeiçoa as anteriores do mesmo seg-mento, indica para onde evoluem os produtos e serviços, os quais alcançam o último nível quando se caracteriza pelo menor envolvimento humano, a automação. Em um sistema auto-limpante encontra-se um exemplo que dispensa a atividade humana para ser mantido purificado e funcionando.