Novos meios de se proteger contra os riscos das inovações

Resumo:

Este artigo é continuação do título “novos tipos de inovação anunciam tsunamis nas corporações”. Desta vez abordamos os riscos da inovação, o Hedge da Inovação e sugerimos algumas maneiras de se proteger dos tsunamis de inovação.

 

No artigo anterior apresentamos três tipos de ideias para inovação que estão surgindo no horizonte com um potencial de destruição tal qual um tsunami de primeira grandeza.

São três tipos que devem ser tratadas como “inovações na inovação”.

1- Tipo Big Bang – são inovações que ocorrem ao acaso, isto é, não possuem metodologia para serem alcançadas.

2- Tipo Eliminação da Concorrência – são inovações que surgem através da metodologia de medição de ideias que conduz o inovador para a Ideia Ideal®©o porto seguro para onde todas as ideias querem ir para encontrar e satisfazer o usuário.

3- Tipo Cisne Negro – são inovações que dominam seus segmentos e avançam sobre outros campos apropriando-se dos seus mercados devido à facilitação que oferecem para realizar as atividades. Não são visíveis nos radares das corporações até que se instalam.

 

Esses tipos de ideias contêm novas abordagens que precisam ter seus riscos e benefícios conhecidos e redimensionados pelos gestores de inovação.

 

RISCOS DAS IDEIAS PARA INOVAÇÃO

Sempre é bom lembrar que os riscos da inovação promovidos pela própria empresa podem ser muito baixos, chegando até ao “risco zero”, quando alteramos a metodologia tradicional.

A inovação não é um tema de alto risco. É a metodologia que se concentra no umbigo da própria corporação que é de altíssimo risco.

Um exemplo esclarece melhor.

Se você for dar um presente para sua namorada e for buscar algo que você goste, da cor que prefere, do tamanho que lhe for conveniente, comprar na loja de sua preferência e outros itens de seu gosto, a probabilidade de sua namorada devolver o presente é altíssima.

Leva isso para sua mãe! Provavelmente dirá ela.

Então imagine o que acontece quando você usa esse mesmo método (preferências da própria corporação) para produzir ideias para inovação…

Experimente mudar o método indo buscar algo que sua namorada prefira, da cor que ela gosta, na loja que ela prefere, da conveniência dela, facilitando algo a ela. A probabilidade de sua namorada gostar desse presente é bem alta.

Outra forma da empresa inovar, ainda focada em seu próprio umbigo, ocorre quando o produto alcança um alto nível de eficiência e qualidade, mas não economiza esforços do usuário.

Isto é, a inovação não passa na Navalha de Occam do usuário, que, aliás, é muito afiada.

Tipicamente, as empresas pensam em ideias para inovação do ponto de vista de seu interesse quando deveriam combinar seu interesse com o desejo do usuário / cliente, aquele que efetivamente paga todas as contas e motivo de sua existência.

Dessa forma, a metodologia focada primordialmente na economia de esforços do usuário final – e não no próprio umbigo da corporação – pode reduzir ao ínfimo os riscos de inovação da corporação.

 

Inovação não é um tema de alto risco, como pode ter risco zero.

 

Assim, se para ideias geradas pela empresa para serem transformadas em suas próprias inovações os riscos podem ser administrados, não podemos fazer a mesma afirmação quando as inovações vêm dos concorrentes, e menos ainda quando as ideias são tsunamis nas corporações.

Isto é, os riscos podem ser ínfimos para a empresa iniciante – tipicamente um startup, geradora / autora da inovação fulminante – e extremos para os concorrentes estabelecidos.

Neste “up grade” da inovação, saímos do dilema do inovador quando enfrentamos inovações disruptivas para os tsunamis no inovador com esses novos tipos de inovação.

Algumas áreas já estão enfrentando a concorrência fulminante que os estão encolhendo de diversas maneiras:

Mídias, Telecomunicações, Educação, Finanças (bancos, seguros), Entretenimento e Turismo, Transporte e Deslocamento.

O encolhimento sempre ocorre em três frentes simultâneas, embora com intensidades diferentes: recursos naturais, profissionais e impostos.

 

Tipicamente, menos é mais, mas nada é tudo.

Com tal nível de risco crescendo no horizonte cabe aos inovadores reconhecer esses novos tipos de ideias, compreender os riscos e benefícios em sua área e, especialmente, tornarem-se influenciadores em seus ambientes para produzir meios da corporação se precaver e se beneficiar, desenvolvendo inovações de escape por contorno desses tipos de ideias, uma vez que o enfrentamento é muito difícil e às vezes nem há tempo para reação.

Assim, para promover os benefícios de escape, o primeiro passo é tratar essa questão como se fosse uma inovação necessária da própria empresa através de um projeto, pesquisa ou co criação que liberte as mentes criativas para encontrar contornos a essas questões.

 

HEDGE DA INOVAÇÃO

Em finanças há um tipo de investimento que ajuda a explicar o que se deseja aqui.

É o “Hedge” que pode ser traduzido como cerca de proteção ou cobertura. Foi idealizado para proteger um investimento e diminuir o risco do investidor ser pego de surpresa por imprevistos. Muito praticado em operações cambiais e commodities de todos os tipos, o Hedge assume a existência de um risco de perda, que não espera ganhar tudo que poderia, mas também não perde tudo que investiu.

Assim, podemos definir como Hedge da Inovação os modos das corporações se protegerem contra as inovações destrutivas vindas da concorrência, assumindo que sua atividade tem alto risco de ataque de  ideias que podem causar sérios danos, mas que pode se proteger através de um sistema de ideias para escape pelo contorno da inovação destrutiva.

Trata-se de construir uma proteção através de um sistema de escape que contorna tsunamis de tal modo que a operação seja mantida, ainda que em outros termos, devido às ideias que constituem o Hedge da Inovação.

 

EXEMPLOS PARA HEDGE DA INOVAÇÃO

 

1-Startups e aceleradoras.

Empresas já estão desenvolvendo Hedge de Inovação ao promover e incentivar startups e aceleradoras em suas respectivas áreas de atuação. Quando surge alguma ideia revolucionária podem absorver a ideia em sua estrutura, transformando ameaças em oportunidades. Além disso, criam um radar que é o primeiro a identificar e dominar os novos riscos para seus negócios.

 

“Para que enfrentar um tsunami se você pode surfar nele?”

 

2- Ampliação do campo da atividade.

É um meio simples, mas riquíssimo para promover Hedge de Inovação.

Exemplos: empresas de petróleo agora são empresas de energia. Hoje, muitas petrolíferas são empresas de energia podendo atuar com qualquer forma de energia. E se o petróleo tiver problemas, migra-se para outra energia…

 

Hospitais estão adicionando “centros de pesquisa”, fortalecendo-se em suas especializações. Também estão fazendo Hedge de Inovação ao se globalizar, atendendo pacientes de vários cantos do mundo. Com essa falta de médicos e preços de tratamentos, tratar-se em países mais baratos pode ser uma grande solução para o paciente…

 

Curiosamente, algumas empresas de automóveis estão produzindo bicicletas (VW), motos (várias), aviões (Honda) e outros itens de locomoção onde “motores” estejam inclusos.

 

A Starbucks apresenta-se como empresa que promove encontros de pessoas os quais são conectados através de Café e Internet. Se houver problemas com café, o encontro de pessoas se sustentará com outro tipo de alimento e Internet. Seu Hedge de Inovação está iniciado.

 

3- Busca e criação de proteção.   

Se não houver ainda nenhum esforço no sentido de promover o Hedge da Inovação – proteção contra a concorrência devastadora, o gestor pode pensar em desenvolver precauções e benefícios para tal. Sugere-se unir seus parceiros criativos em torno de um projeto cujo título inspire escapes pelo contorno, tais como:

  • O que mais podemos fazer com o que temos?
  • E se precisássemos aumentar o faturamento?
  • Como (ou quais partes) podemos migrar para métodos digitais?
  • Como o modelo de negócios pode ser alterado?
  • Quais valores se perpetuarão que podemos inserir nos negócios?

 

Ou outro título que leve os criativos e empreendedores internos a contribuir livremente, sem se preocupar com tsunamis.

Seja como for, a contribuição ao gestor inovador é desenvolver-se e informar-se para influenciar a empresa dos novos riscos externos que estão surgindo através da inovação da inovação e buscar benefícios protetores.

 

A mudança precisa ser reconhecida e entendida em toda sua extensão, especialmente nos riscos e benefícios que nos oferecem.

Só não pode é ficar parado porque o tsunami leva mesmo…

Publicado pela primeira vez em < http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/novos-meios-de-se-proteger-contra-os-riscos-das-inovacoes/90869/ >.

 

Tag’s: tipos de inovação. Riscos e benéficos da inovação tsunami. Hedge da Inovação.

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em by Rui Santo em Artigos

About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

Responder Novos meios de se proteger contra os riscos das inovações

  1. José Predebon

    Gostei, Rui, parabéns!
    Abrako do predeba 180413

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