Soluções ou Benefícios? Quais benefícios descartam soluções de problemas?

Resumo:

O artigo mostra a sutileza que diferencia e separa soluções de benefícios. Enquanto soluções contêm novos e criativos problemas escondidos, benefícios entregam valores extraordinários, insuperáveis e impensáveis. Descartamos soluções tão logo encontramos benefícios.

 

 

Tipicamente as empresas, especialmente as de informática, têm o hábito de oferecer “soluções aos clientes”. No entanto, nenhum de nós quer soluções, embora aceite-as quando não há alternativa. Todos nós queremos benefícios.

Explico melhor:

Soluções são concepções (saídas / alternativas / estratagemas) que resolvem problemas desde que o usuário realize algumas ações, incluindo  manutenções periódicas para conservar o estado inicial. Além disso, soluções de problemas escondem novos e criativos problemas, nem sempre identificados facilmente, que no futuro precisarão de novas soluções, num movimento circular e repetitivo, tipo mais do mesmo.

Benefícios são concepções que dispensam qualquer ação do usuário para manter “ad æternum”, os resultados iniciais. Devido sua simplicidade extrema, dificilmente causam novos problemas.

 

Exemplos:

1- Pneus:

Comprado com solução: se o pneu furar o borracheiro resolve.

Comprado com benefício: pneu não fura (já existem alguns em caminhões de guerra) e pneus “autocicatrizantes” (em fase avançada de pesquisa, são feitos de borrachas que se reformulam e corrigem falhas estruturais).

2- Forno de fogão:

Com solução: forno deve ser limpo com produtos e objetos de limpeza.

Com benefício: forno autolimpante.

 

Nos dois exemplos, os benefícios são o Porto Seguro da Inovação onde as Ideias Ideais, matematicamente igual a 0,00 iur – unidade de medida de ideias, se encontram com o desejo do usuário.

 

Nesse ponto (Ideia Ideal = 0,00 iur), o risco da inovação é zero,

comprovando que inovação não é um tema de alto risco,

se você sabe avaliar ideias, matematicamente.

 

As matemáticas convertem o invisível em visível – Keith Devlin.

ESCLARECENDO A TENDÊNCIA

Acontece que inovações norteadas por benefícios tendem a dominar absolutamente em função da facilitação, liberdade e independência que oferecem aos usuários. É esse aspecto que não está sendo devidamente considerado pelos inovadores, uma vez que ainda produzem ideias com 68% de falhas.

É um índice insano de fracasso devido as suas próprias incompreensões!

 

O risco vem de não saber o que você está fazendo. Warrem Buffet

 

A mudança de paradigma ajuda a esclarecer a tendência de domínio do beneficio sobre a solução de problemas, sempre que for possível optar.

 

Na Era Analógica (material), os objetos eram mecânicos e eletromecânicos (toca discos, toca fitas, carburador e motor de carro,…) e necessitavam de limpeza e lubrificação periódica de suas partes móveis. Tais soluções implicavam em ações de manutenção do usuário para manter os sistemas funcionando adequadamente.

Com o advento da Era Digital (imaterial), as partes móveis foram substituídas e com elas, limpezas e lubrificações sumiram.

O usuário não tem que fazer nada para continuar obtendo os mesmos resultados como se fosse o primeiro dia de uso.

 

OBSERVANDO EM PERSPECTIVA – DE FORA DA CAIXA.

Assim, olhando em perspectiva para a conseqüência da solução analógica, a limpeza e o lubrificante eram “solução de problemas de sujeira e lubrificação devido ao desgaste do material”, uma ação necessária para um problema que, na verdade, não havia sido solucionado.

Embora precisasse ser repetida periodicamente, tal ação ao invés de ressaltar a obrigação, “acomodava a percepção” dos inovadores – clientes / usuários / fabricantes / desenvolvedores /…

Além disso, a submissão à solução predominante – todo mundo faz assim…! – encobre o discernimento de oportunidades criativas para inovação.

Ninguém vê e é até difícil explicar!

 

“A maioria das pessoas foram doutrinadas para acreditarem que seu trabalho é copiar o mundo, não projetá-lo” – Seth Godin.

 

No entanto, todo esse modo de inovação fica descoberto quando observamos de fora da caixa o caminho que percorremos, do âmbito de solução para o âmbito de benefícios, onde temos melhores resultados e sem ações do usuário.

Cognitivamente, as manutenções são excluídas até do radar mental do usuário que esquece que tinha que limpar e lubrificar, uma vez que tal obrigação foi sumariamente eliminada de sua “lista de afazeres de sábado”.

 

CRIATIVIDADE: NOVO TIPO DE IDEIAS PARA INOVAÇÃO

Surge uma nova abordagem à criatividade requerendo dos inovadores um novo tipo de ideias. A criatividade progride para o âmbito digital, dominante e preferido sobre o âmbito analógico.

Assim temos que o modo digital adiciona “benefícios que eliminam esforços do usuário” enquanto o modo analógico não tem como competir por estar limitado a “soluções que dependem de ações do usuário”, isto é, mais do mesmo.

Então, ideias que aperfeiçoam o que já existe, mas mantém o usuário prisioneiro em ações, tendem a ser trocadas por ideias que eliminam nossos esforços de qualquer tipo.

 

Menos é mais, mas nada é tudo! Rui Santo

 

Trata-se de um “Up Grade” na produção de ideias que acompanha a mudança de paradigma de analógico para digital, de soluções para benefícios.

Sem esse “progresso” na produção de ideias, o fracasso da inovação tende a continuar em um nível insano.

 

APLICAÇÃO NA INFORMATICA.

No setor de informática das corporações essa sutileza entre “solução de problemas e benefícios” gera tantas divergências que até ganhou nome: Shadow TI ou Sombra TI que eu chamaria de TI de Benefícios.

O setor de TI desenvolve os softwares da corporação, válido para todos os membros. No entanto, profissionais de outros setores (logística, marketing, finanças,…) vão buscar fora da empresa app’s que lhes “beneficiem”, que estejam além de “solução de problemas” oferecida no software da corporação.

Essa impertinência é permitida porque esses profissionais são avaliados como “mais produtivos”, mas para eles, esses softwares estão mesmo é facilitando, acelerando e até eliminando partes do seu trabalho.

 

Na verdade, quem faz software “solução de problemas” também pode fazer software de “benefícios”. Afinal, a tecnologia é a mesma. A diferença é a capacidade criativa de cada um. Rui Santo.

 

Quando o setor de TI entender plenamente essa diferença sutil, provavelmente essa batalha entre os diversos gestores e os CIO’s – atualmente perdida por incompreensão deles mesmos, poderá ser recuperada, e então toda a corporação alcançará um nível maior de produtividade porque todos terão softwares com benefícios e as “soluções de problemas, criadoras de novos softwares – problemas” terão sido eliminados.

 

Experimente acertar. Você não tem nada a perder, mas pode encontrar muito a ganhar.

 

 

 

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em by Rui Santo em Artigos

About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

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