A solidão dos revolucionários criativos.

Resumo:
Aborda a importância da solidão na criação das ideias que transformam o mundo.

DEUS CRIOU O MUNDO, E O FEZ EM PROFUNDA SOLIDÃO, ATÉ ONDE SABEMOS.

A criatividade é a fonte primária das revoluções no mundo desde o seu surgimento, em todas as áreas.
Tipicamente, a criatividade revoluciona os conceitos existentes e surge com ideias que desbravam além da situação dominante, às vezes estagnada.
Esse é o caso dos autores das grandes mudanças históricas do mundo, os grandes criativos como L. da Vinci, Galileu, Kepler, Newton, Darwin e Lamarck, Einstein, M. Curie, Picasso, A. Turing, N. Tesla, W. Kandinsky, Santos Dumont cujas ideias revolucionárias foram inspiradas e criadas na solidão da concepção e fora da universidade, como se fossem “duas solidões – uma sobre a outra”, se isso fosse possível.
Esse é um dado importante da criatividade que se caracteriza como uma das atividades mais solitárias do mundo: a solidão da produção revolucionária de ideias que alteram o curso da história.

SEM GRANDE SOLIDÃO, NENHUM TRABALHO SÉRIO É POSSÍVEL. PICASSO.

Posteriormente, as teorias e trabalhos dos revolucionários são levados às universidades e estudados em detalhes por grupos de pesquisadores talentosos da área de atividade do tema – física, química, biologia, aeronáutica, artes plásticas, etc.
Em 1997, Eric Raymond, em uma conferência na Alemanha sugeriu o conceito de catedral e bazar para explicar esse método. Resumidamente diz que os bazares surgem em volta das catedrais e são a elas dedicados. Isto é, cada vez que surge uma catedral, surgem diversos bazares a sua volta oferecendo itens relacionados ao santo da catedral.

CATEDRAL E BAZAR SÃO SIMBIÓTICOS. SEM CATEDRAL NÃO EXISTE BAZAR,
E SEM BAZAR A RAMIFICAÇÃO DA CATEDRAL É LENTA. ERIC RAYMOND.

Significa que “só depois” que uma grande ideia surge, os pesquisadores, os interessados e outros talentosos se juntam em volta dela para co criar, pesquisar, desenvolver e aproveitá-la de tantas maneiras quanto conseguirem.
Os pesquisadores talentosos dependem mais da catedral do que eles mesmos imaginam. Se a Idea Central, revolucionária, não surge, a pesquisa co criativa míngua ou fica ruminando mais do mesmo, isto é, repetitiva e cansativa sobre o que existia.
Não há progresso, nem surgem respostas para perguntas pendentes. Há vários segmentos das ciências, das tecnologias, da economia, política (!) e de outros segmentos que se encontram nessa situação, estagnados.
Quero dizer com isso que o item mais importante no tema criatividade é a geração de ideias revolucionárias, tipo catedral, porque geram todo um movimento que não existirá sem ela. Até a crítica esmorece sem ideias revolucionárias.

É POUCO PROVÁVEL QUE O MODELO “OPEN SOURCE” PRODUZA IDEIAS REVOLUCIONÁRIAS,
QUE INSPIREM E GUIEM OS MAIORES ESFORÇOS DE INOVAÇÃO. ERIC RAYMOND.

Enquanto os bazares nascem e crescem sucessivamente, aprisionados em torno da ideia central e interligados entre si, as catedrais são separadas e livres umas das outras, ideias centrais pontuais sem comunicação aparente, sobre santos distintos.
Em principio, as ideias revolucionárias surgem do nada, em modos difíceis de serem explicadas e sistematizadas, enquanto as ideias derivadas, tipo bazar, podem ser esclarecidas através das técnicas de criatividade, de adaptações e de outros princípios como a Navalha de Occam que busca simplicidade cortando o supérfluo, praticada na engenharia, marketing e design.

A MAIORIA DOS INVENTORES E ENGENHEIROS QUE EU CONHECI É COMO EU…
ELES VIVEM EM SUAS CABEÇAS. ELES SÃO QUASE COMO ARTISTAS…
E OS ARTISTAS TRABALHAM MELHOR SOZINHOS.
ENTÃO VOU LHE DAR ALGUNS CONSELHOS QUE PODEM SER DIFÍCEIS DE SEGUIR:
TRABALHE SOZINHO, NÃO EM UMA COMISSÃO, NÃO EM UMA EQUIPE. STEVE WOSNIAK, APPLE.

Considerando que entre 30% e 50% da população prefere a criação solitária, afirma Susan Caim, autora de “Silêncio: o poder dos introvertidos”, podemos estar perdendo ideias revolucionárias ao forçar a co criação, embora o ideal seja balancear entre o isolamento criativo e a co criação com grupos de criativos.
Assim, não podemos desconsiderar os grupos de co criação, que embora presos à ideia central beneficiem a mesma através da quantidade de olhares, diversidade de procedências, de interesses distintos, de culturas variadas, de objetivos de tal modo que aceleram exponencialmente a ramificação da ideia central.
Observe o Vale do Silício com a tecnologia digital e a antiga Ágora de Atenas, no Séc. IV a.C. e os conceitos surgidos na filosofia.
Criativos juntam-se para co criar e ramificar as ideias centrais que estão inflamando as mentes revolucionárias.
O pesquisador Adam Jaffe identificou que os criativos ficam mais inspirados quando (e se) estão integrados com outros criativos, de onde resultam ideias benéficas em quantidade e qualidade.
É o que deveria acontecer também em clusters com temas do interesse coletivo, mas se não acontece é porque não houve a preparação cognitiva e desenvolvimento das capacidades criativas dos participantes, embora haja motivação para avançar.

COM A CARA E A CORAGEM NÃO HÁ CANTOR NEM CORO.
É INDISPENSÁVEL QUE HAJA REPERTÓRIO! RUI SANTO

Tipicamente, quando se tenta criar com grupos sem preparo adequado para tal, a maioria se acomoda e empurra a obrigação para os demais.
Como todos tendem a fazer a mesma coisa, a quantidade de ideias é diminuída e a qualidade prejudicada.
Em processos de brainstorming, acontece. É a falta de repertório de ideias.
Assim, é importante desenvolver cognitivamente os bazares em função das catedrais, mas separadamente, como disse Eric Raimund:

OS BAZARES DEVEM FICAR FORA DA CATEDRAL.

Aliás, você lembra quem disse algo assim há 2.000 anos?
Pois é. Tem coisas que parecem novas, mas são iguais ao que sempre foram…

Para refletir: você acha possível fazer uma analogia entre sistemas políticos e os conceitos de ideias revolucionárias e co criação?
Por exemplo: seria possível relacionar sistemas políticos socialistas e capitalistas versus co criação e catedral, respectivamente?
Experimente! Prepare-se para produzir ideias revolucionárias.
Você não tem nada a perder, mas pode encontrar muito a ganhar.
Voltaremos ao assunto, oportunamente.

Tags: ideias revolucionárias, co criação, catedral e bazar, solidão dos criativos,

Publicado inicialmente em Administração – Tecnologia – 16.09.2015
< http://www.administradores.com.br/artigos/tecnologia/a-solidao-dos-revolucionarios-criativos/90327/ >

Compartilhe:





ENVIE AGORA!
em by Rui Santo em Artigos

About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

Adicionar Comentário