Talento criativo – único pré-requisito dos profissionais do futuro

Resumo: 

             Este artigo sugere que no futuro próximo o único pré-requisito profissional será a capacidade criativa plenamente desenvolvida e oferece três sugestões para encontrar esses profissionais, dado que a produção de ideias é oscilante.

 

Desde o ano de 2.000 comentávamos nos cursos de MBA que a habilidade criativa desenvolvida estaria entre as cinco habilidades mais procuradas nos profissionais das corporações. Em 2010 uma pesquisa da IBM com 700 organizações em 61 países confirmou nossas previsões, indicando que para ocupar cargos de direção era indispensável ter a capacidade criativa desenvolvida, essa habilidade capaz de governar as corporações, enfrentando as ideias criativas da concorrência.

Atualmente, esse tema ganhou tanta energia que se estendeu a todos os níveis, de alto a baixo, tornando-se um requisito básico para ingressar em qualquer cargo, exceto em contabilidade, o único setor que ninguém quer criativos desenvolvendo ideias, como indicaram pesquisas americanas.

Como já trabalhei com todo tipo de aprendiz do tema, desde índios, domesticas, religiosos, doutores acadêmicos, microempresários e no mundo corporativo do  “p ao P” (do porteiro ao Presidente) pude presenciar como ideias aceleram o progresso profissional, tanto quanto a estagnação e o atraso devido à falta delas.

O surgimento da concorrência criativa eleva as disputas comerciais e a busca por profissionais com disposição criativa tende a ser o único pé-requisito nos processos de seleção.

Se você é criativo é aprovado para continuar os demais testes na sua capacitação.

Se você não tem a habilidade criativa, talvez as outras habilidades não interessem…

Dito de outra forma, o diploma continuará valorizado, mas estará condicionada a ter ou não habilidade criativa desenvolvida.

Convenhamos que num mundo dominado por ideias inovadoras, os desafios tendem a ser imprevisíveis e vindos de todos os lados, levando-nos para o campo do imponderável. Como vamos enfrentar concorrentes criativos senão com profissionais com a mesma habilidade e que saibam agir nesse novo ambiente.

Devemos reconhecer que as habilidades criativas permeiam e condicionam todas as outras. Um líder, estrategista, negociador, vendedor ou porteiro sem criatividade apropriada pode impedir o fluxo de ideias.

À medida que a criatividade for compreendida como a estrutura embutida em todos os talentos, tende a ser a única habilidade requerida do profissional do futuro, seja para entrar, para permanecer ou para crescer.

Assim surge a questão: como encontrar profissionais preparados para produção de ideias?

A resposta típica é através de testes que avaliam a criatividade de pessoas, mas essa é uma medida ilusória por um simples motivo: produção de ideias é um tema oscilante.

Aqueles que já praticam essa habilidade sabem disso. Tem dias que estão a mil ideias por segundo. Têm outros que estão à zero ideias por dia. Não surge nenhuma ideia o dia inteiro. Dependendo do dia que o sujeito é testado, pode resultar em genialidade ou incapacidade criativa absoluta.

Também é preciso considerar que esse tema depende de treinamento cognitivo, isto é, de prática, de desafios constantes, de um crescimento que ocorre ao longo do tempo devido a exercícios diferenciados, fora da caixa.

Então, com que metodologia pode-se procurar e separar profissionais criativos dos outros? A resposta vem dos métodos usados pelos curadores a procura de artistas para expor em bienais. Isto é,

É como selecionar um artista plástico para uma bienal. Vale o que o autor tem produzido nos últimos tempos, e não o que ele pode produzir “aqui e agora” para esta bienal”.

Minhas sugestões, esperando que o leitor acrescente seus métodos e aproveite para praticá-los, dado que o importante é elevar o nível criativo de todos.

  • Relacionar suas atividades criativas durante a vida, tais como líder de classe, trabalhos que ganharam prêmios, projetos inovadores, TCC que se tornou referência, elaborar / publicar algum romance, poesia, objeto inventivo, ter participado em feiras similares ao FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), possuir patentes ou algo que demonstre iniciativa e acabativa (capacidade de ir até o fim, acabar o que iniciou) em qualquer área.
  • Detalhar soluções e decisões profissionais criativas que praticou. Mudanças de área / cargo, mudanças de setor, mudanças de responsabilidade. Tais mudanças devem demonstrar capacidade de adaptação, flexibilidade, curiosidade – elementos fundamentais para o desenvolvimento criativo. Dito de outra forma: demonstrar que você não faz todo dia, tudo sempre igual, há décadas…
  • Levar os interessados para almoçar em restaurantes por quilo. Fico surpreso como as pessoas se entregam no almoço, cuja realidade comprova-se nas escolhas de alimentos que incluíram no prato. Mesmo que tenha pratos deliciosos visualmente, olfativamente não arriscam nem como curiosidade. É surpreendente! Esse método traz informações adicionais ao comportamento profissional, a iniciativa e especialmente seu empenho em ir até o fim, mesmo quando não gosta do projeto, digo da comida, não deixando nada no prato.

Essas sugestões aproximam-se mais da realidade profissional e creio serem preferíveis a testes e dinâmicas, especialmente em situações de estresse, típico de ambientes de seleção.

A ideia é levar para a seleção externa a metodologia que já é praticada na seleção interna, cujo histórico profissional é o que decide.

Experimente. Prepare-se. Eleve seu nível cognitivo de produção de ideias.

Você não tem nada a perder, mas pode encontrar muito a ganhar…

 

Publicado inicialmente em “Administração / carreira”

< http://www.administradores.com.br/artigos/carreira/talento-criativo-unico-pre-requisito-dos-profissionais-no-futuro/89770/ >

 

 

 

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em by Rui Santo em Artigos

About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

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