O Fim da Sustentabilidade – O poder atrator do zero.

O Fim da Sustentabilidade – O poder atrator do zero. 

O mundo merece nada menos do que um futuro com zero de novas infecções, zero de discriminação e zero de mortes relacionadas à AIDS – Michel Sidibe.

 Estaríamos repetindo o mesmo erro que cometemos há 100 anos, quando demos toda a atenção ao cavalo –tido como definitivo – e toda a sociedade se concentrava na discussão do problema da bosta do cavalo espalhada pelas ruas, embora o carro como solução já tivesse sido inventado e estava em plena aceleração?   Estaríamos novamente concentrados no problema lateral (sustentabilidade) e esquecendo a solução central (zero), já disponível e em andamento acelerado?

Rui Santo*

Resumo Geral:
Há um fim para a sustentabilidade? Um ponto final que atrai os componentes sustentáveis que restam nos produtos e a desfaz em nada?

A questão não é se existe ou não um alvo atrator que finaliza a sustentabilidade, porquanto a resposta é enfaticamente afirmativa. O objetivo é chamar a atenção para o caminho trilhado pela sustentabilidade em direção ao elemento atrator zero (0,00 iur – o centro de um rodamoinho) e como a desmaterialização, que desfaz a sustentabilidade, vai devolvendo à natureza o que dela retirou em um processo universal, que inspira os inovadores criativos, de modo irreversível e acelerado.

Desmaterialização e O poder atrator do zero (0,00 iur).

 Descoberta do Zero – O Vazio.

A descoberta do número zero pelos hindus no ano 150 a.C. completou a numeração (0 – 9) e determinou o sentido de direção dos números, isto é, do cheio (9) para o vazio (0) indicando a ausência ou inexistência. Os números intermediários (entre o n. 9 e o n.0) indicam o nível restante para o esvaziamento completo. Essa foi uma nobre descoberta dos matemáticos hindus mantida sem alteração até os nossos dias, que sinalizam e caracterizam prioridades autoexplicativas.

 Defeito Zero / Acidente Zero / Manutenção Zero.

Todos nós conhecemos os conceitos de Defeito Zero (oriundo dos programas de garantia da qualidade) e Acidente Zero (oriundo dos programas de prevenção de acidentes). São expressões autoexplicativas, alvos prioritários para todos, especialmente criado pelos responsáveis por tais programas. Acidente Zero, por exemplo, significa que certos procedimentos devem ser seguidos à risca por cada profissional diretamente envolvido e perseguido por todos para beneficio coletivo. O surgimento da expressão Manutenção Zero veio com a mudança das operações mecânicas (onde há grande quantidade de partes moveis que sofrem desgaste e precisam ser substituídas e/ou lubrificadas – ex. correia dentada dos carros) para as operações analógicas e finalmente as operações digitais onde não há partes móveis nem manutenção.

 Física – Principio de Mínima Ação.

O poder atrator do zero manifesta-se no Principio de Mínima Ação, também conhecido por Lei do Menor Esforço. Está entre os postulados mais importantes da física, criado pelo francês Pierre Louis de Maupertuis em 1744. De acordo com esse principio, “a natureza, na produção de seus efeitos, sempre age da maneira mais simples” ou ainda, “a natureza é econômica em todas as suas ações”. Maupertuis[1] ainda contribui com esclarecimentos ao Principio de Conservação de Energia: “quando ocorre alguma mudança na natureza a quantidade de ação necessária para tal mudança é a mínima possível”.                                                                                                             Dito de outra forma: a natureza consome seus próprios recursos do modo que lhe for mais econômico, através da menor distancia, menor tempo e menor consumo de suas energias. A biomimética[2] oferece diversos exemplos da eficácia da mínima ação na natureza, cuja simplificação se guia pelo elemento atrator zero, como em uma bússola.

 A Navalha de Occam – menos tem menos erros.

Na mesma linha de pensamento a “Navalha de Occam é o principio estético mais influente na ciência”, afirma John Horgan[3]. Guilherme de Occam, filósofo inglês do Sec. XIV criou o conceito benéfico à ciência ao afirmar que a melhor explicação para um fenômeno é aquela que tem o menor número de pressupostos. Entre duas ou mais teorias, a preferência é por aquela que for mais simples, apresentar a menor quantidade de variáveis, uma vez que oferece o menor potencial de erro. É um guia valioso que diminui o potencial de riscos desnecessários. Foi utilizada no modelo ptolomaico para substituir o conceito de “epiciclos espiralados (?!)” por “órbitas elípticas (!)”, relativo ao movimento dos planetas, válido até os nossos dias.

 Miniaturização (material) / Produção Enxuta / Pensamento Enxuto – menos é melhor.

A miniaturização foi uma mudança de paradigma na década de 70 nas ofertas de produtos que elevou a indústria do Japão ao nível de classe mundial. O Japão diminuiu a quantidade e peso de materiais incluídos nos produtos oferecidos, os quais dominaram os concorrentes[4]. Esse processo continuou com aplicação nas linhas de produção, denominado Produção Enxuta que ajudou a elevar a Toyota ao primeiro nível na área automobilística. Posteriormente, o modelo foi ativado em diversas áreas das corporações com o nome de Lean ThinkingPensamento Enxuto e atualmente pode ser praticado por qualquer setor (público ou privado) em qualquer atividade. Tanto o enxugamento quanto a miniaturização contribuem com a aceleração da desmaterialização, isto é, em ação o elemento atrator zero.  Um bom exemplo de enxugamento na área de serviços públicos é o Poupa Tempo que ganhou diversos prêmios mundo afora. Este ano, 2012, a Inglaterra inaugurou um sistema equivalente, porém ainda mais simplificado com acesso pela Internet, isto é, desmaterializou o transporte de ida e volta, trânsito, estacionamento, filas, restrição de horário de atendimento, etc., etc., etc.

Inovação – Produção Enxuta.

O especialista em Marketing, Philipe Kotler demonstra que tão logo as inovações são lançadas pelas corporações, os setores de produção iniciam o processo de enxugamento que, tipicamente consegue reduções significativas do conjunto de ações e recursos utilizados, nos seis meses seguintes ao inicio de produção.  Dito de outra forma: o imã atrator zero impõe-se imediatamente após o inicio da produção da inovação, desmaterializando tudo que estiver ao alcance criativo dos profissionais, tanto em fases e atividades produtivas quanto em recursos utilizados para tal.  

 Lei de Bell – Smartdust ou grão de areia.

Gordon Bell, engenheiro americano de informática, formulou em 1972 uma lei em decorrência da Lei de Moore (a capacidade dos chips dobra a cada 24 meses). A Lei de Bell afirma que a cada 10 anos surgem computadores menores e mais baratos que se espraiam para novas aplicações, mercados e indústrias. As previsões da lei são confirmadas pelos Smartphones, Tablets e similares. Gordon Bell mostra o processo desde os pesados e volumosos mainframes (1960’s) que requeriam diversos profissionais para opera-lo em ambientes especiais, passa pelos Desk Top atuais e avança até os sistemas informatizados em escala milimétrica[5] (grão de areia / smartdust) que vão permitir a computação ubíqua de modo a monitorar tudo (se houver algo!), quase sem material e sem operadores manuais, isto é, quase zero.

 Ondas de Kondratiev – Da Revolução Industrial à Revolução da Informática – (a última, mas não o fim…).

O economista russo Nikolai Kondratiev publicou “Os Principais Ciclos Econômicos”, em 1925 no qual identificou os ciclos de inovação tecnológica, reafirmados como Ondas de Kondrative por Schumpeter. 

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 SOURCE: The Economist, 20 Feb 1999. Kondratiev Waves, as Postulated by Joseph Schumpeter

Da Revolução Industrial à Revolução da Informática – TIC’s.

Cada uma destas Ondas de Kondratiev é impulsionada por uma “tecnologia portadora”, definida como uma nova forma de fazer as coisas, porém de modo mais eficiente quando comparado com as anteriores, reformulando todos os aspectos da economia. As cinco Tecnologias Portadoras, identificadas por Chris Freeman e Francisco Louçã são: – máquinas movidas à água (moinhos); – máquinas movidas a vapor. – máquinas movidas à eletricidade. – motor de combustão interna. – informática / TIC.

 Embora haja gigabytes de diálogos[6] sobre os diversos enfoques permitidos pela teoria como economia, financiamento, recessão e depressão, questões sociais, tecnologia, inovação, etc., nosso interesse está na direção do caminho criativo das fases. Não creio que seja necessário muito esforço para enxergar o Principio da Mínima Ação ou a desmaterialização na sequencia de aparecimento das ondas. O ex-presidente do Banco Central Americano, Alan Greespan identificava essa característica, notando como o PIB está se tornando cada ano “mais leve”.  Pode-se exemplificar com a Locomotiva a Vapor[7] conduzida por maquinistas e outros operários em trabalho insalubre, movido à queima de madeira ou carvão nas caldeiras, que consumiam recursos naturais durante horas e horas poluindo o ar para ir de A até B em 1850.

Na Era das TIC’s – Tecnologias da Informação e Comunicação, o Trem MagLeve é um sistema de transporte informatizado e automatizado (sem condutor)  que opera por levitação magnética, sem partes moveis nem rodas – logo sem desgaste mecânico nem lubrificação cuja manutenção é quase nula – percorre 30,5Km a cada 7,0min. de Xangai ao Aeroporto local, na China. Transportou 8,0 milhões de pessoas nos três primeiros anos de operação com Acidente Zero, consumindo uma quantidade ínfima de energia em relação ao trem de 1850.  Neste exemplo é importante notar a força da desmaterialização, oriunda de diversas fontes, agindo em múltiplos itens,  simultaneamente, isto é, o atrator zero não é linear.

 Dito de outra forma: enquanto a constituição / construção / concatenação / estruturação / crescimento de um sistema é lento e sequencial linear, a desmaterialização é rápida e esférica, como se fosse um rodamoinho esférico.

T.I.A. – Teoria das Ideias Autocomparadas©®[8].

Podemos acrescentar neste artigo um reforço. Trata-se de Métodos de Quantificação de Ideias© ® destinadas à inovação os quais já são ensinados em diversos cursos de MBA’s. Aqui são apresentamos um “resumo do resumo sucinto”. Para ler mais, visite o meu blog < www.galaxiacriativa.com.br > e se cadastre para acessar as cinco maneiras de quantificar ideias e conhecer o primeiro instrumento criado para medi-las, a “Balança da Inovação©®”.

 Basicamente para se medir ideias – quando elas ainda estão no campo das ideias, na sala da ideação, muito antes de serem transformadas em inovações – utilizamos como parâmetro de referência aquele que desde sempre, mede, escolhe e decide quais ideias (transformadas em inovações) irá utilizar, isto é, o usuário. Continuamente, como usuários, avaliamos ideias de produtos e serviços, através de autocomparações e preferimos aqueles que nos exigem a menor quantidade de esforços, isto é, aqueles que nos for mais cômodo, prático, fácil e / ou mais rápido. A opção por aqueles itens que nos entregam os maiores benefícios pelos menores esforços para operarmos no piloto automático físico – cognitivo é natural.  

Para calcular cada ideia identificamos três elementos facilmente mensuráveis que são intrínsecos ao usuário: energia, tempo e movimento. Com base nesses três elementos físicos comuns ao corpo humano de todos os usuários, podemos calcular o consumo requerido do organismo humano por qualquer ideia, através de um processo de autocomparação entre a ideia e o produto / serviço de referência do usuário, isto é, aquele item que ele já conhece ou está habituado a utilizar.

 Resumindo, a formulação matemática para quantificação de ideias é:  

       SEt x SEf x SEm = 1,00 iur®©.            

A somatória dos esforços relativos ao tempo (SEt), multiplicado pela somatória dos esforços físicos / energias (SEf), multiplicados pela somatória de esforços de movimentos (SEm) é igual a 1,00 iur®©  por definição e referência do usuário.  

Sentido Universal de Direção

de Ideias para Inovação: 

de  1,00iur  para 0,00 iur.

      SEt x SEf x SEm = 0,00 iur®©.

A Ideia é Ideal quando oferece os benefícios sem haver nenhum esforço do usuário para obtê-lo (0,00 iur®©)

Se um elemento for nulo então todos serão nulos simultaneamente (SEt = 0, então SEf = 0 e SEm = 0, simultaneamente).

Copyright Rui Santo – ©®

 O aspecto mais importante na formulação é a identificação do Sentido Universal de Direção de Ideias para Inovação®© que é puxado pela desmaterialização que se encontra no elemento atrator zero (0,00 iur). Assim, definimos a ideia como Ideia Ideal aquela que nos entrega os benefícios sem requerer nenhum esforço por parte do usuário (0,00 iur).  

 Importante: a Ideia Ideal caracteriza a desmaterialização completa dos recursos no ponto 0,00 iur. São desmaterializadas desde despesas de IPTU do local para produzir, estocar e/ou loja para vender os elementos materiais, passando por IPVA dos equipamentos de transporte que distribuem entre os respectivos locais (IPTU’s) e demais impostos tais como ICM, IPI, ISS, FGTS, INPS, GPS, IR, PIS, COFINS, etc. Isto é, referem-se aos recursos materiais, recursos humanos, recursos criativos, estratégicos, ambientais e outros que foram eliminados devido à desmaterialização completa no ponto 0,00 iur.

 Exemplos:                                                                                                                                                                                                                                                                                         – Carro: bateria comum x bateria selada.

A bateria comum exigia um conjunto de esforços do usuário (consumo de energia física / ocupação de seus tempos / movimentos ou deslocamentos) em ter atenção ao nível do eletrólito da bateria, que deveria ser trocado ou preenchido mensalmente. Com o advento da bateria selada, essas preocupações saíram do radar do usuário. A bateria selada dispensa qualquer preocupação com o nível de água destilada. Evaporaram-se funis, panos de limpeza, frascos de água destilada, energia para produção e transporte do eletrólito em centenas de caminhões, oficinas e postos de prestadores de tais serviços, etc., etc., etc..

A bateria selada entrega os benefícios sem absolutamente nenhum esforço do usuário. E note ainda que até o descarte de frascos de água destilada, panos, funis e outros materiais usados na manutenção da bateria, também foram desmaterializados (0,00 iur).

 – Carro Flex comum versus carro Flex Fox.

Abolido o frasco de enchimento de gasolina para ajudar na partida em dias frios, quando o tanque estiver cheio de álcool. Com o novo motor, basta ligar e sair, independente da temperatura externa e do tipo de combustível que estiver no tanque principal.

Ideia Ideal: eliminou todos os esforços do usuário para manter o frasco cheio de gasolina (saiu do radar cognitivo do consumidor), eliminou todos os recursos materiais relativos ao frasco, ao enchimento de gasolina, ao espaço ocupado no motor e tudo mais incluindo as diversas fases de IPTU, IPVA, ICM, IPI, ISS, IR e outros. Eliminou ainda os aspectos imateriais tais como: necessidade de criatividade, estratégias, riscos ambientais, etc., embora o benefício seja entregue ao usuário. 

– Tablet – igual a diversos produtos e serviços.

O tablet[9] sozinho está desmaterializando, até agora: livros comuns, livros escolares, apostilas de exercícios, enciclopédias, jornais, revistas, documentos e escrituras (em Portugal), contas diversas e envios pelos correios, aparelhos de rádio, televisão, CD de música, máquina fotográfica e respectivas fotos, máquina de vídeo e respectivos filmes, gravadores de som e respectivas fitas de áudio, telefones, sistemas de comunicação visual, chaves (item simbólico), partituras musicais em orquestras (Bélgica), agendas, jogos, computadores e HD que foram para a nuvem (?!),… São muitos benefícios quase sem nenhum esforço em um único objeto.

 – Café da manhã sem talheres.

Dia desses (2010) um grupo de alunos apresentou um excelente trabalho demonstrando que na Europa é possível tomar café da manhã sem usar nenhum talher. Compreenda bem: talheres e respectivas ações tais como lavagens com água quente, detergente, ocupação do usuário e todos os atos decorrentes, além de ter que secar e guardar para ser retirado da gaveta novamente amanhã de manhã!!!. São embalagens de pães e queijos fatiados, bisnagas de geleias e manteigas, açúcares e adoçantes,…, que dispensam talheres. Convenhamos: Lei do Menor Esforço manifestada em sua plenitude!!!

– Horas trabalhadas.  

No inicio da revolução industrial trabalhava-se até 12 horas por dia, seis dias por semana[10], totalizando 72 horas. Atualmente em alguns países, trabalham-se apenas 36 horas na indústria e em algumas atividades limita-se em 30 horas por semana. Importante é notar que a constatação da “diminuição de horas trabalhadas na indústria” está em sintonia com o PIB, mais leve, mas não menor a cada ano.  

 A lista é muito grande.

Um único raio de sol ilumina grandes superfícies na terra – autor desconhecido.

 Temos apresentado em cursos uma lista pontual, dado que a lista de produtos que estão caminhando para o ponto 0,00iur através do Sentido Universal de Ideias para Inovação®©, em fases distintas de desmaterialização é realmente muito grande em todas as áreas. A lista de produtos que já alcançaram 0,00iur embora não seja tão grande é significativa, uma vez que o elemento atrator age como um “rodamoinho que suga tudo a sua volta”: Tablet, vacina (dose única x doses diárias por anos a fio), serviços bancários (está chegando “a mão – Bradesco ou o dedo – Itaú” para as operações financeiras, isto é, do talão de cheques ao zero!).

 MEDIÇÃO DA SUSTENTABILIDADE – agora sabemos o sentido de direção!

Importante notar que ideias derivadas da T.I.A. Teoria das Ideias Autocomparadas©® podem progredir em um campo controvertido em todo mundo que é como medir a sustentabilidade. Podemos desenvolver um método simples para calcular o nível de sustentabilidade de um item qualquer da mesma forma que a descoberta do vazio (9 = cheio / 0 = vazio), pelos hindus, nos permitiu saber “quanto falta para esvaziar completamente”. Agora sabemos para onde a sustentabilidade se dirige e onde está o fim dela (0,00 iur).

 Zeronauta – o criativo do vazio (0,00 iur)

John Elkington publicou recentemente um livro denominado “The Zeronauts” no qual cria a figura do “profissional zeronauta”, assim definido por ele:

– inventor, empreendedor, inovador, investidor, gerente ou educador que promove a criação de riqueza durante a condução de impactos ambientais, sociais, econômicos em direção a zero.                                                                                                                                                                                                – alguém que investiga, encontra e desenvolve ruptura, soluções enxutas para as tensões crescentes entre demografia, estilos consumistas de vida e sustentabilidade.                                                                                                                                                                                                                          – líder político ou formulador de política que ajuda a criar marcos regulatório e incentivo necessário para conduzir soluções da escala da Terra.

 John Elkington ao criar a o conceito do Profissional Zeronauta trata de um profissional criativo que tem suas ideias atraídas para o vazio, a ausência, o zero. Tais conceitos relacionam-se com a teoria que temos ensinado há anos em diversos MBA’s intitulada T.I.A. – Teoria das Ideias Autocomparadas©®, mencionada resumidamente acima, nos quais os participantes identificam a existência de um “Sentido Universal de Ideias para serem Transformados em Inovações de Produtos / Serviços”, preferido por todos nós, em direção ao 0,00 iur.   Na linguagem de John Elkington são os Profissionais Zeronautas.

 Resumo dos conceitos apresentados:

Menos é mais (desmaterialização), mas nada é tudo (0,00 iur).

Assim, podemos resumir esse conjunto de conceitos, que é apenas uma pequena parte do total de conceitos similares, da seguinte forma:

Imagine uma estrada com uma pista de sentido único:

Nome da estrada: sustentabilidade.

Destino final da estrada: elemento atrator zero (matematicamente 0,00 iur) ou rodamoinho esférico ou Ideia Ideal ou…

Motoristas que circulam na estrada: Profissionais Criativos Zeronautas.

Acostamento esquerdo da estrada: recursos naturais devolvidos ao meio ambiente, “desmaterializados do produto central” antes de chegar ao destino.

Acostamento direito da estrada (?!): recursos humanos reeducados profissionalmente em suas habilidades, talentos, conhecimentos, etc. para operarem em atividades imateriais?!

Fluxo da estrada: aumentando a quantidade de viajantes, heterogeneidade e velocidade dos mesmos como em fim de semana prolongado.

Problema: falta gestão de fluxo; governança global criativa de multiplicidades / pluralidades e singularidades; ausência de pensadores e especialistas no destino zero, embora haja excelentes pensadores no trajeto da estrada (sustentabilidade); problema não identificado / pesquisado claramente, não “geografado”, não quantificado nem qualificado; profissionais não mapeados;…

Dito de outra forma: Falta Governança Global do fluxo para o ponto 0,00 iur, isto é, organizar e sistematizar criativamente a gestão dessa estrada que se instituiu e opera exclusivamente por iniciativa e auto-organização intuitiva de alguns criativos.

Conclusões:

  1. Evidentemente há muitos outros exemplos autoexplicativos do zero (0,00 iur).
  2. Não é de hoje que o caminho para o zero é inspirador. Podemos ir à Navalha de Occam e ao Principio de Mínima Ação em séculos anteriores. Ou ir logo à Índia, na descoberta do zero e identificar como o comercio disparou na época ao saber “quanto falta para encher ou esvaziar”.
  3. Há um caminho identificado que finaliza a sustentabilidade no atrator zero (0,00 iur), e dispensa a mudança de comportamento de consumo (que caminha para ser imaterial), mudança  de sistemas políticos (a criatividade floresce melhor em sistemas abertos e descomprimidos e vamos precisar muito mais dela) que operam soluções importantes e benéficas ao meio ambiente e” ao ser humano.
  4. Para tanto é necessário uma Governança Global Criativa para equilibrar a desmaterialização dos recursos materiais com a reeducação dos recursos humanos para dedicação a atividades imateriais. Isto não significa que tudo vá se desmaterializar. Certos itens seriam muito difíceis para o Homo Sapiens que não tem preparo para tal. Mas também significa que muito mais do que imaginamos pode sim, ser desmaterializado e ainda manter os benefícios aos usuários. As respostas ao que pode e o que não pode estão nas ideias dos criativos zeronautas que ao serem inspirados e incentivados encontrarão as soluções para chegarmos lá (0,00 iur).
  5. Ao identificarmos a estrada da sustentabilidade, fica facilitado a criação de métodos que quantifiquem quanto falta para chegar a 0,00 iur, isto é, medir a sustentabilidade em relação à desmaterialização e aos recursos humanos. Aprofundaremos esse item em outra oportunidade.
  6. Deve estar claro que a sustentabilidade não é estática. Bem ao contrário. É dinâmica é está se acelerando sem nenhum apoio de nenhuma instituição, exceto pelas ideias dos criativos e inovadores, em direção ao ponto zero (0,00 iur) quando então estaciona definitivamente.
  7. Lembrando que um único raio de sol ilumina uma vastíssima área na terra, algumas ideias podem vir a substituir uma quantidade exponencial de produtos materiais, como é o caso do Tablet. A informação que jaz subentendida é que o usuário percebe, através do processo de autocomparação com suas referências, quando surge uma inovação que elimina seus esforços e ainda lhe entrega o benefício desejado. A consequência desse tipo de raio de sol é a minimização do consumo de diversos recursos naturais da terra, representados por IPTU, IPVA, ICM, IPI, ISS,…, dos diversos itens que não precisam ser comprados. Está tudo no Tablet, na vacina, na visita holográfica a distancia…

 

Rui Santo.

Visite o blog: < www.galaxiacriativa.com.br  >.

Email: < ruisanto@galaxiacriativa.com.br >;

 Rui Santo é mestre em Ciências da Comunicação, Engenheiro Sênior Internacional, Professor de Criatividade para Inovação em diversos MBA’s, autor de diversas técnicas de criatividade, Métodos de quantificação de ideias destinadas a inovação e do Primeiro Instrumento para medição de Ideias. 


[1] Ramos, Mauricio de Carvalho. A geração de corpos organizados em Maupertuis. São Paulo: Associação Filosófica Scientiae Studia: Editora 34, 2009. Pág. 14.

[2] Biomimética: ciência que aprende e se inspira na natureza para produzir inovações em produtos, serviços, etc.

[3] Horgan, John. O fim da ciência: uma discussão sobre os limites do conhecimento científico. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

[4] Por exemplo, nas dimensões dos rádios. Na eliminação dos parafusos (e chaves de fenda) para fixação de tampas de instrumentos, substituídos por sistemas de encaixes.

[5] Já existem aplicações projetadas para implantação em pacientes com glaucoma, desenvolvidos pela Universidade de Michigan, cujo protótipo foi criado pelos pesquisadores Dennis Sylvester, David Blauw, and David Wentzloff, do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação. 

[6] Burnam-Fink, Michael. Waves of Innovation.  Disponível em:  < http://scienceprogress.org/2011/05/waves-of-innovation-2/ >. Acesso em setembro de 2012.

[7] A primeira demonstração prática de funcionamento de uma locomotiva a vapor foi realizada em 1829 por George Stephenson.

[8] T.I.A. – Teoria das Ideias Autocomparadas é direito autoral de Rui Santo (Copyright Rui Santo), registrada em 2004, e ensinada em diversos cursos de MBA desde então. Ver a teoria no meu blog www.galaxiacriativa.com.br .

[9] Jamais se atenha aos elementos desmaterializados em si. Adicione sempre as diversas fases relativas ao IPTU, IPVA, ICM, ISS, IPI, IR, FGTS, INPS e vários outros “I’s”.

[10] Na União Soviética, o governo comunista queria que os operários fossem trabalhar mais 12 horas no domingo inclusive. Essa ordem não vingou porque os operários foram para as Igrejas e lá permaneceram o domingo inteiro, até que o “governo do povo” desistiu.

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About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

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