Oferecer Ideias Criativas é Patriótico … na China.

Governo chinês incentiva a população a oferecer ideias para inovação.

Rui Santo

 O governo chinês está requerendo da população, ideias para inovação através de outdoor espalhados pelas ruas de Pequim. Não é pouco nem é comum. É revolucionário inserir inovação entre “patriotismo, inclusão e virtude”!

 

Pequim: outdoor do governo chinês incentivando “patriotistmo, inovação, inclusão e virtude”.

Desenvolvimento baseado na diversidade das ideias para inovação.

 Em 2006 a China lançou o Programa Nacional de Médio e Longo Prazo para o Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia, cujo objetivo é transformar o país em uma sociedade desenvolvida até 2020, através da metodologia inovação.

O desenvolvimento chinês, elaborado e conduzido por profissionais de engenharias e ciências exatas, visa elevar a capacidade da população de produzir ideias destinadas à inovação, desenvolver talentos criativos na ciência e tecnologia, reformar / rever os processos de inovação na gestão de ciência e tecnologia e ainda, apoiar o desenvolvimento de cidades inovadoras.

Inovação na inovação

 Surge um conceito relevante para o próprio tema da inovação. A China traz uma mudança de paradigma importante ao buscar o envolvimento da sociedade no processo de captação de ideias que possam contribuir com o seu Programa Nacional  de Desenvolvimento.  A China está “inovando a inovação” ao retirar do ambito interno,  restrito às instituições responsáveis pela produção de ideias para inovação e levando para o campo externo, envolvendo a população na busca de mutações.

Os governos sabem que a prosperidade significante depende da contínua produção de propriedade intelectual. Incluir a população nas frentes que demandam maior produção de ideias é o tipo de movimento, cuja prática provoca o surgimento de ideias de ruptura, radicais, disruptivas que passam a dominar os mercados.

Embora já seja bem conhecida a inovação aberta, open innovation, restrita às redes sociais digitais que de modo geral exclui a população não informatizada, de baixa renda, aposentados e de idade avançada, a publicação em outddor é bem diferente, uma vez que incentiva o esforço criativo da população geral, especialmente quando nivelados com valores como “patriotismo, inclusão e virtude” que articula o envolvimento de todos.

Nada mais patriotico e virtuoso – para qualquer um em toda parte do mundo – do que contribuir com ideias que favoreçam e beneficiem a propria população.   

Inovação ou Livro das Mutações – I Ching.

Na China há o fator cultural que contribui para a busca pública de ideias para inovação. Não é de hoje que os chineses valorizam exponencialmente os criativos. O I Ching ou Livro das Mutações já faz isso há mais de 3100 anos.

Iniciado na Dinastia Chou, por volta de 1150 a.C. foi adicionado texto para facilitar a compreensão. Impregnado desde então na cultura chinesa, o Livro das Mutações (ou Clássico das Mutações ou I Ching em chinês ou mais comumente lembrado como Oráculo Chinês) está presente na filosofia, ciência e arte de governar do povo chinês tal como uma fonte de inspiração. Não é difícil encontrar nas ruas das pequenas cidades chinesas interpretes do I Ching para orientar os consulentes do oráculo, afirma Richard Wilhelm[i]. O I Ching é componente cultural do povo chinês.

Também tratado por Fonte de Inspiração e Livro da Sabedoria, o I Ching é composto de 64 hexagramas ou situações típicas e jogado com seis moedas próprias que representam as seis linhas de cada hexagrama – três inteiras e três cortadas.   

Nos dias atuais o Livro das Mutações poderia ser tratado por Livro das Inovações, uma vez que as inovações são mutações. Assim, requerer publicamente ideias para inovação, inserida entre elementos de patriotismo e virtude, não deve ser estranho em ambiente habituado com o Livro das Mutações. 

             Livro das Mutações, Filosofia, Confúcio, Lao – Tse, Criatividade – Tudo a ver.

 O filósofo Confúcio foi um dos grandes colaboradores do I Ching e Lao Tse usou-o para criar seus mais profundos aforismos. Os dois primeiros hexagramas do Livro da Sabedoria são o criativo (1º) e o receptivo (2º).

 Confúcio afirmava que os dois primeiros hexagramas constituem os batentes de uma porta por onde tudo tem que passar.

 No Livro das Mutações (ou Inovações?), o criativo, o fácil é o CÉU, e o receptivo, o simples é a TERRA. Para o filósofo somente o que for gerado pelo Céu (criativos) pode ser concretizado pela Terra (receptivos).

E como apresentado no arquivo “Carta da Galáxia Criativa o que não passar pela cabeça dos criativos, não existe, ninguém compra / vende / ensina / aprende / percebe / usa…. Ninguém nada!

Diz Confúcio: “Tudo segue fluindo nesse rio, sem cessar, dia e noite” para expressar a idéia de mutação.

Aquele que percebe o significado da mutação, fixa sua atenção não mais nos entes transitórios e individuais, mas sobre a imutável e eterna lei que atua em toda mutação. Lao Tse complementa afirmando que essa lei é o TAO, o curso das coisas, o principio UNO no interior do múltiplo.

 

Aceleração de ideias – a mola propulsora  da criatividade em ação.

 Convenhamos, a mola propulsora que acelera exponencialmente o processo para beneficiar as  inovações, foi disparada na China!

Seria uma evolução visionaria do que é ser patriota?

Equivaleria ao conhecido slogan americano atribuido ao Presidente Kenedy que pediu a população para descobrir o que cada um pode fazer pelo país?

Certamente não vai demorar muito para descobrirmos os resultados alcançados pelo governo de Pequim, relacionados a essa nova abrangência de ideias para inovação.

Mas outro “benefício coletivo que surge pela culatra” já pode ser contabilizado: o nivel cognitivo, a rede neural, a saúde mental da população que participar deve aumentar.

Nada mal para um tiro que acerta dois alvos.

 
Galáxia Criativa – setembro de 2012.

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Para a criatividade, o movimento é sagrado!

 


[i] Autor da Tradução para o alemão e da Introdução á Primeira Edição. Para o Português, o mérito é devido a Gustavo Alberto Corrêa Pinto.

 

Fontes consultadas:

– China’s Quest to Create a Culture of Innovation. Disponível em: < http://www.theatlantic.com/sponsored/chinas-global-impact-business/archive/2012/06/chinas-quest-to-create-a-culture-of-innovation/257998/ >. Acesso em junho 2012.

– US 1st, Switzerland 2nd, in first national innovation index published by China. Disponível em: < http://www.sciencebusiness.net/news/74827/US-1st%2c-Switzerland-2nd%2c-in-first-national-innovation-index-published-by-China >. Acessado em abril 2012.

– Texto do I Ching comentado. Disponível em: < http://www1.uol.com.br/iching/prefcgjung%2ehtm >. Acessado em 2002.

 

 

 

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em by Rui Santo em Artigos

About Rui Santo

Especialista em criatividade, inovação e visão de futuro. Autor de diversas ferramentas para liberar sua capacidade criativa. Autor da T.I.A. - Teoria das Ideias Autocomparadas. Autor de formulação matemática que permite a medição de ideias. Autor da Balança da Inovação: uma balança com três pratos que compara os três elementos inseparáveis da inovação. Auto do livro: A Balança da Inovação.

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